HistóriaDa história do local sabe-se que em 1540, Monserrate, então designado como Quinta da Bela Vista, estava integrado nos domínios do Hospital de Todos os Santos, de Lisboa. Frei Gaspar Preto, após uma peregrinação ao Eremitério Beneditino de Montserrat, na Catalunha, terá mandado edificar uma capela dedicada a Nossa Senhora de Monserrate, no local onde presumivelmente estaria sepultado um lendário cavaleiro moçárabe, venerado como mártir, depois de ter morrido em luta contra o alcaide do Castelo dos Mouros.Em 1601, o Hospital de Todos os Santos aforava Monserrate à família Mello e Castro. D. Caetano de Mello e Castro, comendador de Cristo e vice-rei da Índia, acabaria por comprar a propriedade em 1718. Das casas então existentes, apenas se sabe que o terramoto de 1755 as tornou inabitáveis.Em 1790, Gerard DeVisme, comerciante inglês que enriquecera graças ao monopólio da importação de pau-brasil, concedido pelo marquês de Pombal, arrenda a quinta de Monserrate e manda construir um palacete neogótico. O local escolhido foi o de uma antiga capela e que, encontrando-se em ruínas fora, entretanto, refeita noutro local.DeVisme residiu pouco tempo em Monserrate, acabando por subarrendar a propriedade e todas as suas benfeitorias a William Beckford, por volta de 1794. Beckford utilizou uma pequena parte da sua grande fortuna para realizar inúmeras benfeitorias no palácio. Avançou, também, com a primeira concretização de um jardim romântico, que integrava as ruínas, um cromeleque e uma cascata natural ali existentes. Em Julho de 1795, Beckford escrevia a Mme Isabel Sill Bezerra, pondo-lhe a Quinta de Monserrate à diposição e dizendo "My dear friend, I've been too much engaged with the royalty of Nature, with climbing rocks and cork trees, with tracing rills and runnels to their source and examining the recess of these lovely environs" (in Pires, 1987, p.166).Em 1799, Beckford deixa definitivamente o nosso país e Monserrate volta a entrar em declínio. Em 1809, Monserrate é visitada por Lord Byron, o famoso poeta, que cantou a beleza deste local na sua obra Childe Harold's Pilgrimage. O poeta, referindo-se ao palácio lamenta que "um matagal enorme" a custo lhe permitisse chegar "às salas sem ninguém com seus portais abertos" e considera, em carta escrita a 16 de Junho desse ano, que a Quinta de Monserrate "o primeiro e mais lindo lugar deste reino".Em 1856 a quinta de Monserrate é comprada à família Mello e Castro por Francis Cook, um milionário inglês, comerciante de têxteis que manda refazer o palácio, agora ao gosto neo-mourisco, e que cria um notável jardim paisagístico, inspirado pelo romantismo inglês.A Sir Francis Cook se fica a dever a concretização do coerente programa construtivo e ornamental do arquitecto inglês James Knowles Jr., em plena comunhão com o programa de florestação e renovação das espécies botânicas do parque. O conjunto foi transformado num exemplo ímpar do revivalismo e ecletismo de Oitocentos, predominantemente marcado por um exotismo oriental e onde os motivos vegetalistas delicadamente rendilhados do interior do palácio se prolongam harmoniosamente no jardim. Monserrate manteve-se na posse da família Cook até 1947. Em 1946 a família tentou vender Monserrate ao Estado português, que protelou a oferta de tal modo que seria o antiquário Saúl Sáragga a adquirir a quinta e o palácio com o respectivo recheio. Só em 1949, o Estado conseguirá adquirir a quinta e a tapada, num conjunto de 143 hectares, juntamente com o palácio, embora este estivesse já praticamente destituído do seu acervo.O ParqueFoi graças ao espírito romântico de Francis Cook, à intervenção programática do paisagista William Stockdale, do botânico William Nevill e do mestre jardineiro James Burt que podemos hoje encontrar cenários contrastantes no Parque de Monserrate que, ao longo de caminhos sinuosos, por entre ruínas, recantos, lagos e cascatas nos permitem o contacto com fetos arbóreos ancestrais e araucárias da Nova Zelândia e da Austrália, agaves e palmeiras que recriam um cenário do México, camélias, azáleas, rododendros e bambus, lembrando um jardim do Japão. Nesta aparente desordem, exemplares de espécies espontâneas da região, como os surpreendentes medronheiros de porte arbóreo, os já muito raros azevinhos e os imponentes sobreiros pontuam e complementam a magnífica paisagem.Pontos Notáveis do ParqueO Vale dos Fetos espelha o gosto da década de 50 de Oitocentos pelo coleccionismo de fetos arbóreos, aqui presente num vale entre a cascata e a capela, a zona do parque com melhores condições de humidade e ensombramento. Com as condições do meio desta forma seleccionadas, a proliferação destes fetos exóticos, originários da Nova Zelândia e da Austrália, foi assim possibilitada.A CapelaO caminho de acesso à capela é ladeado por um lado pelo Vale dos Fetos e pelo outro por um bosque de carvalhos, castanheiros e medronheiros. A capela, réplica da original existente no local do palácio, foi modificada por Sir Francis Cook, com o intuito de se assemelhar a uma ruína romântica integrada nos jardins como era então habitual nos jardins ingleses.O Vale do MéxicoNeste local pode-se admirar uma flora exótica proveniente de climas quentes, desde o México aos arquipélagos da Madeira e de Cabo Verde, onde se destacam as iucas, as nolinas, as palmeiras os pinheiros de Montezuma, o taxódio e os dragoeiros.Junto aos lagos ornamentais, podemos encontrar um magnífico taxódio do México e uma araucária de Norfolk, a árvore de maior porte do Parque com mais de 45 metros de altura.O Relvado de MonserrateTambém construído na segunda metade do século XIX, foi o primeiro a ter, em Portugal, um sistema de rega que lhe permitia manter-se verde todo o ano. Aí encontramos dois metrossíderos originários da Nova Zelândia, uma das árvores mais notáveis do Parque. No fim da Primavera e início do verão produz flores escarlates e tem a capacidade de desenvolver raízes aéreas que captam a humidade.Caminho PerfumadoEste caminho foi criado com a intenção de fruição dos aromas provenientes de uma pérgola, coberta de glicínias, que juntamente com os loureiros e cinamomos enchem o ar de agradáveis aromas.
SECTOR DE TRABALHO: Desenho, projectos, construção, renovação, recuperação, conservação, fiscalização, supervisão, aconselhamento técnico de áreas verdes (parques, jardins, campos desportivos (golfe e futebol ou outros, relvados, jardins interiores), sistemas de rega, lagos, cascatas, muros de pedra, calçadas, pérgolas, mobiliário urbano (parques infantis, papeleiras, bancos, quiosques, candeeiros, pavimentos sintéticos, relva artificial etc.).